

O último mês de 2008 foi marcado pela alta volatilidade dos mercados acionários globais, refletindo o elevado nível de desconfiança dos investidores que perdurou durante todo ano. Nos Estados Unidos, foram destaques a divulgação da equipe econômica do governo eleito de Barack Obama, que foi bem recebida pelo mercado, e a decisão inesperada do Federal Reserve, o banco central americano, que definiu uma taxa básica de juro que varia de 0% a 0,25%, mostrando a disposição do governo em tomar todas as atitudes necessárias para reaquecer a economia local.
Apesar do noticiário positivo, o clima de incerteza em relação ao tamanho da crise financeira mundial e dos seus potenciais desdobramentos segue trazendo nervosismo ao mercado, refletido na ausência de uma tendência nas principais bolsas do mundo: nos EUA, o S&P 500 apresentou variação positiva de 0,78%, enquanto o Dow Jones retraiu 0,60%. No mercado brasileiro, apesar do baixo volume, o Ibovespa apresentou variação positiva de 2,61%, após seis meses consecutivos de queda, com destaque para as ações da Petrobras, com alta de mais de 13% em dezembro.
Nossa expectativa para 2009 é de que as divulgações dos resultados de setores importantes da economia e dados macroeconômicos nos primeiros meses, juntamente com o noticiário sobre os desdobramentos da crise, devem definir a tendência do ano, quando esperamos um primeiro semestre mais fraco e de forte volatilidade nos mercados, ainda repercutindo a intensa desaceleração da economia americana.
Acreditamos, porém, que o segundo semestre possa apresentar uma recuperação, ainda que de forma moderada, alavancada pela recuperação dos preços das commodities que se encontram em patamares bastante defasados, estimulando assim o desempenho das economias emergentes que devem sustentar o crescimento do PIB mundial.
Julio Martins, Diretor da Prosper Gestão de Recursos